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terça-feira, 7 de abril de 2015

REVOLUÇÃO RUSSA (1917)

No século XIX, a Rússia era um país atrasado em relação aos demais. Sua economia baseava-se na agricultura. Os servos  trabalhavam, mas os senhores feudais não tinham o menor interesse de modernizar as plantações. O país era governado pelo Czar (Imperador), que tinha poder absoluto, ou seja, todos estavam submetidos a ele. Então, o czar Alexandre II tomou algumas providências:
- Aboliu a servidão
- Vendeu terras aos camponeses
- Mandou ocupar novas áreas agrícolas
Tudo isso trouxe benefícios para o país que cresceu e se tornou exportador de grãos, além de ter favorecido o aumento da população. Esse aumento trouxe algumas conseqüências graves, como por exemplo, a dificuldade de se encontrar emprego e a baixa produtividade agrícola gerando fome e revolta. A saída encontrada pelo governo foi estimular um programa de industrialização. Várias fábricas foram implantadas e a Rússia apresentou as maiores taxas de crescimento industrial.
Em 1904 a Rússia se envolveu em uma guerra contra o Japão. Este conflito desorganizou a economia piorando a situação dos operários e camponeses. A humilhação da derrota acirrou os ânimos contra o czar. No ano seguinte (1905), os habitantes saíram em uma passeata a fim de entregar um abaixo-assinado ao Imperador pedindo melhoras nas condições de vida e a instalação de um parlamento. O czar respondeu com um massacre promovido por suas tropas, aumentando ainda mais a revolta do povo. Este episódio ficou conhecido como Domingo Sangrento. Apesar de tudo, ele fez algumas concessões e dentre elas estava a instalação do parlamento (Duma). Entre os anos de 1907 e 1914, com o czar Nicolau II, a Rússia voltou a ter uma aparente tranqüilidade, pois houve uma alta no crescimento industrial e os camponeses ganharam terras.
Grande parte da oposição era socialista e se baseava nas idéias de Karl Marx, eles acreditavam que todos os problemas do país só acabariam se o capitalismo fosse abolido e o comunismo fosse implantado. O Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR) era o principal partido de oposição ao governo czarista e se dividia em dois grupos:
- Bolcheviques (maioria): queriam derrubar o czarismo pela força, eram liderados por Lênin e acreditavam que o governo deveria ser diretamente controlado pelos trabalhadores.
- Mencheviques (minoria): propunham a implantação do socialismo através de reformas moderadas e acreditavam que a burguesia deveria liderar a nova república a ser constituída após a queda do Czar Nicolau II.
A entrada da Rússia na Primeira Grande Guerra (1914) trouxe várias conseqüências:
- Desorganização da economia
- Fome, pobreza e racionamento
- Saques, passeatas e protestos contra o czar
- Renúncia do czar em 1917 diante da pressão popular.
Com a derrubada do czar, o governo provisório (cujos membros se identificavam com os interesses da burguesia russa - Mencheviques) assumiu o poder. Esse governo adotou algumas medidas, como:
- Anistia para presos políticos
- Liberdade de imprensa
- Redução da jornada de trabalho para 8h.
Estas medidas agradaram à burguesia, mas os camponeses (queriam terras) e operários (queriam melhores salários) não gostaram, principalmente porque a Rússia ainda continuava na Primeira Guerra Mundial.
Os sovietes eram organizações políticas que nasceram no seio das camadas populares e representavam os interesses dos trabalhadores. Assim, havia os sovietes de operários, de camponeses e de soldados. Expressavam uma forma de poder popular em oposição ao governo provisório e se tornaram decisivos nos rumos políticos do país. Lênin, apoiado pelos sovietes e por uma milícia popular (bolcheviques), formou o Exército Vermelho, e os mencheviques, com apoio da burguesia, formou o Exército Branco. Estoura em 1918, a Guerra Civil Russa. Os bolcheviques, em maior número, vencem a Guerra Civil. Lênin agora no poder, toma várias medidas, como por exemplo:
- As terras da Igreja, nobreza e burguesia foram desapropriadas e distribuídas aos camponeses
- Quase tudo se tornou propriedade do estado (fábricas, lojas, diversões, bancos,etc)
- Saída da Rússia da Primeira Guerra Mundial.

A idéia dessas medidas era criar igualdade entre os homens, pois, segundo o Marxismo, sem propriedade não haveria exploradores e explorados. Porém, várias foram as dificuldades que surgiram durante o governo e o novo regime se tornava mais autoritário, distanciando cada vez mais o sonho de criar uma sociedade onde todos fossem livres e iguais.
Após o término da guerra civil, em 1921, a Rússia estava com a economia esfacelada e buscava-se por alternativas para melhorar a economia russa. Lênin adotou a implantação da NEP (Nova Política Econômica), a fim de reestruturar a economia e acabar com as desigualdades sociais, a fome e a miséria na Rússia. Para implantar a NEP, o governo russo permitiu a aplicação de práticas capitalistas, admitindo a entrada de capitais estrangeiros que financiaram a fundação de empresas privadas. A NEP isentou a população das cidades de prestar serviços obrigatórios, a livre circulação da mão de obra foi permitida, suprimiu-se o pagamento salarial igualitário, sendo agora o salário de acordo com a quantidade produzida.
A NEP teve resultados satisfatórios no campo econômico, porém não foi tão bom assim. No campo, surgiram camponeses ricos que pagavam um salário para outros camponeses. Para os comunistas essa atitude representava a volta da exploração capitalista. Nas cidades, os grandes empresários lucravam com essa nova economia e isso fortaleceu o aumento das desigualdades sociais.
As nações que antes se viam submetidas ao czar, observaram a necessidade de se aliarem geograficamente e politicamente, surgindo assim, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Após a morte de Lênin, Trotsky e Stálin foram os dois líderes que disputaram o poder. Stálin saiu vencedor.
Decidido a industrializar o país, ele só podia contar com dinheiro que vinha da agricultura, já que não podia fazer empréstimos internacionais por causa da pobreza em que o país se encontrava. Primeiramente, Stálin aboliu a NEP e criou os Planos Quinquenais. Neles eram estabelecidas as metas da economia russa em um prazo de cinco anos. De forma geral, Stálin priorizou o desenvolvimento industrial dando maior ênfase nas indústrias de base (mineração, máquinas e energia). Com o alcance de números positivos, os planos qüinqüenais posteriores buscaram desenvolver os demais aspectos da indústria nacional.
No campo, a socialização das terras foi parcialmente adotada. Dividindo atribuições, as terras cultiváveis foram subdivididas em:
- Sovkhozes (fazendas do Estado): estavam mais concentradas na porção asiática. A produção era totalmente apropriada pelo Estado, que comercializava, sendo os salários fixos, pagos pelo Estado. Foram perdendo produtividade devido à falta de estímulo para os trabalhadores e também porque os equipamentos ficaram obsoletos.
- Kolkhozes (fazendas cooperativas): a produção era mecanizada e dividida entre os agricultores e o Estado. Eram em maior número, estando concentradas na porção européia. Os salários eram pagos pelo próprio Kolkhozes e variava em função da produção total e das horas trabalhadas. Geralmente, a produtividade era um pouco mais alta, pois os agricultores cooperados se beneficiavam quando a produção era maior.
Muitos camponeses tiveram suas terras apropriadas pelo governo de Stálin, o que gerou alguns conflitos no meio rural. Aqueles que se negaram a entregar suas terras eram mortos ou deportados para a Sibéria e a Ásia Central. O totalitarismo implantado por Stálin na URSS mantinha um rígido controle sobre a imprensa e a cultura em geral.
Nas fábricas, os operários foram proibidos, sob ameaça de morte, de fazer greve ou mudar de emprego. Apesar disso, as metas de Stálin foram alcançadas e a União Soviética passou por um processo de modernização e industrialização. A URSS se tornou uma das maiores potências do planeta, entretanto, esse crescimento não foi acompanhado por melhorias nas condições de vida do povo russo. O Estado enriqueceu, mas às custas de muita exploração.

sexta-feira, 3 de abril de 2015

Imigração no Brasil

A marca da imigração no Brasil pode ser percebida especialmente na cultura e na economia das duas mais ricas regiões brasileiras: Sudeste e Sul.
A colonização foi o objetivo inicial da imigração no Brasil, visando ao povoamento e à exploração da terra por meio de atividades agrárias. A criação das colônias estimulou o trabalho rural. Deve-se aos imigrantes a implantação de novas e melhores técnicas agrícolas, como a rotação de culturas, assim como o hábito de consumir mais legumes e verduras. A influência cultural do imigrante também é notável.

História

A imigração teve início no Brasil a partir de 1530, quando começou a estabelecer-se um sistema relativamente organizado de ocupação e exploração da nova terra. A tendência acentuou-se a partir de 1534, quando o território foi dividido em capitanias hereditárias e se formaram núcleos sociais importantes em São Vicente e Pernambuco. Foi um movimento ao mesmo tempo colonizador e povoador, pois contribuiu para formar a população que se tornaria brasileira, sobretudo num processo de miscigenação que incorporou portugueses, negros e indígenas.

Imigração portuguesa

A criação do governo-geral em 1549 atraiu muitos portugueses para a Bahia. A partir de então, a migração tornou-se mais constante. O movimento de portugueses para o Brasil foi relativamente pequeno no século XVI, mas cresceu durante os cem anos seguintes e atingiu cifras expressivas no século XVIII. Embora o Brasil fosse, no período, um domínio de Portugal, esse processo tinha, na realidade, sentido de imigração.
A descoberta de minas de ouro e de diamantes em Minas Gerais foi o grande fator de atração migratória. Calcula-se que nos primeiros cinquenta anos do século XVIII entraram só em Minas, mais de 900.000 pessoas. No mesmo século, registra-se outro movimento migratório: o de açorianos para Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Amazônia, estados em que fundaram núcleos que mais tarde se tornaram cidades prósperas.

Os colonos, nos primeiros tempos, estabeleceram contato com uma população indígena em constante nomadismo. Os portugueses, embora possuidores de conhecimentos técnicos mais avançados, tiveram que aceitar numerosos valores indígenas indispensáveis à adaptação ao novo meio. O legado indígena tornou-se um elemento da formação do brasileiro. A nova cultura incorporou o banho de rio, o uso da mandioca na alimentação, cestos de fibras vegetais e um numeroso vocabulário nativo, principalmente tupi, associado às coisas da terra: na toponímia, nos vegetais e na fauna, por exemplo. As populações indígenas não participaram inteiramente, porém, do processo de agricultura sedentária implantado, pois seu padrão de economia envolvia a constante mudança de um lugar para outro. Daí haver o colono recorrido à mão de obra africana.

Elemento africano

Surgiu assim o terceiro grupo importante que participaria da formação da população brasileira: o negro africano. É impossível precisar o número de escravos trazidos durante o período do tráfico negreiro, do século XVI ao XIX, mas admite-se que foram de cinco a seis milhões. O negro africano contribuiu para o desenvolvimento populacional e econômico do Brasil e tornou-se, pela mestiçagem, parte inseparável de seu povo. Os africanos espalharam-se por todo o território brasileiro, em engenhos de açúcar, fazendas de criação, arraiais de mineração, sítios extrativos, plantações de algodão, fazendas de café e áreas urbanas. Sua presença projetou-se em toda a formação humana e cultural do Brasil com técnicas de trabalho, música e danças, práticas religiosas, alimentação e vestimentas.

Espanhóis, franceses, judeus

A entrada de estrangeiros no Brasil era proibida pela legislação portuguesa no período colonial, mas isso não impediu que chegassem espanhóis entre 1580 e 1640, quando as duas coroas estiveram unidas; judeus (originários, sobretudo da península ibérica), ingleses, franceses e holandeses. Esporadicamente, viajavam para o Brasil cientistas, missionários, navegantes e piratas ingleses, italianos ou alemães.

Imigração no século XIX

A imigração propriamente dita verificou-se a partir de 1808, vésperas da independência, quando instalou-se um permanente fluxo de europeus para o Brasil, que se acentuou com a fundação da colônia de Nova Friburgo, na província do Rio de Janeiro, em 1818, e a de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, em 1824. Dois mil suíços e mil alemães radicaram-se no Brasil nessa época, incentivados pela abertura dos portos às nações amigas. Outras tentativas de assentar irlandeses e alemães, especialmente no Nordeste, fracassaram completamente. Apesar de autorizada a concessão de terras a estrangeiros, o latifúndio impedia a implantação da pequena propriedade rural e a escravidão obstaculizava o trabalho livre assalariado.
Na caracterização do processo de imigração no Brasil encontram-se três períodos que correspondem respectivamente ao auge, ao declínio e à extinção da escravidão.

O primeiro período vai de 1808, quando era livre a importação de africanos, até 1850, quando decretou-se a proibição do tráfico. De 1850 a 1888, o segundo período é marcado por medidas progressivas de extinção da escravatura (Lei do Ventre Livre, Lei dos Sexagenários, alforrias e, finalmente, a Lei Áurea), em decorrência do que as correntes migratórias passaram a se dirigir para o Brasil, sobretudo para as áreas onde era menos importante o braço escravo. O terceiro período, que durou até meados do século XX, começou em 1888, quando, extinta a escravidão, o trabalho livre ganhou expressão social e a imigração cresceu notavelmente, de preferência para o Sul, mas também em São Paulo, onde até então a lavoura cafeeira se baseava no trabalho escravo.
Após a abolição, em apenas dez anos (de 1890 a 1900) entraram no Brasil mais de 1,4 milhão de imigrantes, o dobro do número de entradas nos oitenta anos anteriores (1808-1888).

Acentua-se também a diversificação por nacionalidades das correntes migratórias, fato que já ocorria nos últimos anos do período anterior. No século XX, o fluxo migratório apresentou irregularidades, em decorrência de fatores externos -- as duas guerras mundiais, a recuperação europeia no pós-guerra, a crise nipônica -- e, igualmente, devido a fatores internos. No começo do século XX, por exemplo, assinalou-se em São Paulo uma saída de imigrantes, sobretudo italianos, para a Argentina. Na mesma época verifica-se o início da imigração nipônica, que alcançaria, em cinquenta anos, grande significação. No recenseamento de 1950, os japoneses constituíam a quarta colônia no Brasil em número de imigrantes, com 10,6% dos estrangeiros recenseados.

Distribuição do imigrante

Distinguem-se dois tipos de distribuição do imigrante no país, com efeitos nos processos de assimilação. Pode-se chamar o primeiro tipo de "concentração", em que os imigrantes se localizam em colônias, como no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Nesse caso, os imigrantes não mantêm contato, nos primeiros tempos, com os nacionais, mas a aproximação ocorre à medida que a colonização cresce e surge a necessidade de comercialização dos produtos da colônia. O segundo tipo, que se pode chamar de "dispersão", ocorreu nas fazendas de café de São Paulo e nas cidades, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo.

Nessas áreas, o imigrante, desde a chegada, mantinha-se em contato com a população nacional, o que facilitava sua assimilação.
Os principais grupos de imigrantes no Brasil são portugueses, italianos, espanhóis, alemães e japoneses, que representam mais de oitenta por cento do total. Até o fim do século XX, os portugueses aparecem como grupo dominante, com mais de trinta por cento, o que é natural, dada sua afinidade com a população brasileira. São os italianos, em seguida, o grupo que tem maior participação no processo migratório, com quase trinta por cento do total, concentrados, sobretudo no estado de São Paulo, onde se encontra a maior colônia italiana do país. Seguem-se os espanhóis, com mais de dez por cento, os alemães, com mais de cinco, e os japoneses, com quase cinco por cento do total de imigrantes.

Contribuição do imigrante

No processo de urbanização, assinala-se a contribuição do imigrante, ora com a transformação de antigos núcleos em cidades (São Leopoldo, Novo Hamburgo, Caxias, Farroupilha, Itajaí, Brusque, Joinville, Santa Felicidade etc.), ora com sua presença em atividades urbanas de comércio ou de serviços, com a venda ambulante, nas ruas, como se deu em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Outras colônias fundadas em vários pontos do Brasil ao longo do século XIX se transformaram em importantes centros urbanos. É o caso de Holambra SP, criada pelos holandeses; de Blumenau SC, estabelecida por imigrantes alemães liderados pelo médico Hermann Blumenau; e de Americana SP, originalmente formada por confederados emigrados do sul dos Estados Unidos em consequência da guerra de secessão. Imigrantes alemães se radicaram também em Minas Gerais, nos atuais municípios de Teófilo Otoni e Juiz de Fora, e no Espírito Santo, onde hoje é o município de Santa Teresa.
Em todas as colônias, ressalta igualmente o papel desempenhado pelo imigrante como introdutor de técnicas e atividades que se difundiram em torno das colônias. Ao imigrante devem-se ainda outras contribuições em diferentes setores da atividade brasileira.

Uma das mais significativas apresenta-se no processo de industrialização dos estados da região Sul do país, onde o artesanato rural nas colônias cresceu até transformar-se em pequena ou média indústria. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, imigrantes enriquecidos contribuíram com a aplicação de capitais nos setores produtivos.
A contribuição dos portugueses merece destaque especial, pois sua presença constante assegurou a continuidade de valores que foram básicos na formação da cultura brasileira.

Os franceses influíram nas artes, literatura, educação e nos hábitos sociais, além dos jogos hoje incorporados à lúdica infantil. Especialmente em São Paulo, é grande a influência dos italianos na arquitetura. A eles também se deve uma pronunciada influência na culinária e nos costumes, estes traduzidos por uma herança na área religiosa, musical e recreativa.
Os alemães contribuíram na indústria com várias atividades e, na agricultura, trouxeram o cultivo do centeio e da alfafa. Os japoneses trouxeram a soja, bem como a cultura e o uso de legumes e verduras. Os libaneses e outros árabes divulgaram no Brasil sua rica culinária.

Fonte: http://www.brasilescola.com/brasil/imigracao-no-brasil.htm

segunda-feira, 23 de março de 2015

Revolução Russa

No século XIX, a Rússia juntamente com a Inglaterra, a França, a Alemanha e a Áustria, era uma das maiores potências européias, porém enquanto os outros países cresciam, faziam reformas e se industrializavam, a Rússia não se modernizava.
A Rússia era considerada um país atrasado em relação aos demais. Sua economia baseava-se na agricultura. Os servos  trabalhavam, mas os senhores feudais não tinham o menor interesse de modernizar as plantações.

O país era governado pelo Czar (Imperador), que tinha poder absoluto, ou seja, todos estavam submetidos a ele, inclusive a Igreja Católica Ortodoxa.

Entre os anos de 1854 e 1856, a Rússia entrou em guerra com a Inglaterra, França e Turquia (Guerra da Criméia), mas foi derrotada justamente por causa do atraso em que se encontrava o país.

Então, o czar Alexandre II tomou algumas providências:
- Aboliu a servidão
- Vendeu terras aos camponeses
- Mandou ocupar novas áreas agrícolas

Tudo isso trouxe benefícios para o país que cresceu e se tornou exportador de grãos, além de ter favorecido o aumento da população. Esse aumento trouxe algumas conseqüências graves, como por exemplo, a dificuldade de se encontrar emprego e a baixa produtividade agrícola gerando fome e revolta.

A saída encontrada pelo governo foi estimular um programa de industrialização, isso permitiu que muitos estrangeiros fossem para a Rússia e várias fábricas foram implantadas, conseqüentemente entre os anos de 1880 e 1900 e Rússia apresentou as maiores taxas de crescimento industrial.

Enquanto o país se modernizava o absolutismo continuava intacto e isso causava descontentamento entre a população que se unia cada vez mais.

Em 1904 a Rússia se envolveu em uma guerra contra o Japão. Este conflito desorganizou a economia piorando a situação dos operários e camponeses. A humilhação da derrota acirrou os ânimos contra o czar. No ano seguinte, os habitantes saíram em uma passeata a fim de entregar um abaixo-assinado ao Imperador pedindo melhoras nas condições de vida e a instalação de um parlamento. O czar respondeu com um massacre promovido por suas tropas, aumentando ainda mais a revolta do povo.

Apesar de tudo, ele fez algumas concessões e dentre elas estava a instalação do parlamento (Duma).

Entre os anos de 1907 e 1914, a Rússia voltou a ter uma aparente tranqüilidade, pois houve uma alta no crescimento industrial e os camponeses ganharam terras.

Grande parte da oposição era socialista e se baseava nas idéias de Karl Marx, eles acreditavam que todos os problemas do país só acabariam se o capitalismo fosse abolido e o comunismo fosse implantado.

Os comunistas se dividiam em dois grupos: Bolcheviques e Mencheviques.
- Bolcheviques: queriam derrubar o czarismo pela força, eram liderados por Lênin.
- Mencheviques: propunham a implantação do socialismo através de reformas moderadas.

Com o advento da Primeira Grande Guerra (1914) o povo russo se sentiu na obrigação de lutar, porém o combate trouxe algumas conseqüências:
- Desorganização da economia
- Fome, pobreza e racionamento
- Saques, passeatas e protestos contra o czar
- Renúncia do czar em 1917 diante da pressão popular

A deposição do Imperador não trouxe tranqüilidade aos russos, pelo contrário, o conflito passou a se dar entre os elementos da oposição.

Com a derrubada do czar, o governo provisório (cujos membros se identificavam com os interesses da burguesia russa) assumiu o poder. Esse governo adotou algumas medidas, como:
- Anistia para presos políticos
- Liberdade de imprensa
- Redução da jornada de trabalho para 8h.

Estas medidas agradaram à burguesia, mas os camponeses (queriam terras) e operários (queriam melhores salários) não gostaram.

Os bolcheviques, aos poucos, se tornaram os porta-vozes de todas essas reivindicações.

Os sovietes eram organizações políticas que nasceram no seio das camadas populares e representavam os interesses dos trabalhadores. Assim, havia os sovietes de operários, de camponeses e de soldados. Expressavam uma forma de poder popular em oposição ao governo provisório e se tornaram decisivos nos rumos políticos do país.

Alguns grupos viam nos bolcheviques a solução pra diversos problemas.

Lênin apoiado pelos sovietes e por uma milícia popular conquista a capital obrigando o governo provisório a renunciar e assumindo o governo em 1917. Eles acreditavam que só o comunismo poderia trazer felicidade para os russos. No poder, eles tentaram realizar e criar uma sociedade onde todos fossem iguais e livres.

Para realizar esse sonho, foram tomadas várias medidas:
- As terras da Igreja, nobreza e burguesia foram desapropriadas e distribuídas aos camponeses
- Quase tudo se tornou propriedade do estado (fábricas, lojas, diversões, bancos,etc)

A idéia dessas medidas era criar igualdade entre os homens, pois, segundo o Marxismo, sem propriedade não haveria exploradores e explorados.

Várias foram as dificuldades que surgiram durante o governo e o novo regime se tornava mais autoritário, distanciando cada vez mais o sonho de criar uma sociedade onde todos fossem livres e iguais.

Em 1921, foi permitido ao povo a abertura de pequenos negócios, pois a sociedade precisava ser estimulada. Os camponeses voltaram a produzir para vender no mercado e as grandes empresas estatais passaram a considerar as necessidades de consumo do povo.

Esta série de medidas ficou conhecida como Nova Política Econômica (NEP) e teve resultados satisfatórios no campo econômico, porém no campo social não foi tão bom assim.

No campo, surgiram camponeses ricos que pagavam um salário para outros camponeses. Para os comunistas essa atitude representava a volta da exploração capitalista.

Nas cidades, os grandes empresários lucravam com essa nova economia e isso fortaleceu o aumento das desigualdades sociais.

Em termos políticos o poder ficou nas mãos do Partido Comunista. Outros partidos (inclusive os demais partidos comunistas) e os sindicatos foram proibidos de funcionar.

Após a morte de Lênin, Trotsky (chefe do exército) e Stálin foram os dois líderes que disputaram o poder. Stálin saiu vencedor.

Decidido a industrializar o país, ele só podia contar com dinheiro que vinha da agricultura, já que não podia fazer empréstimos internacionais por causa da pobreza em que o país se encontrava.

Para aumentar a produtividade, foram criadas as fazendas coletivas e muitos camponeses foram obrigados a entregar o gado e as terras ao estado para trabalharem (contra a vontade) nestas fazendas.

Nas fábricas, os operários foram proibidos, sob ameaça de morte, de fazer greve ou mudar de emprego. Apesar disso, as metas de Stálin foram alcançadas e a União Soviética passou por um processo de modernização e industrialização. Porém, o totalitarismo implantado por Stálin na URSS mantinha um rígido controle sobre a imprensa e a cultura em geral.

Fonte: http://www.infoescola.com/historia/revolucao-russa/

Os Romanov


segunda-feira, 16 de março de 2015

A Primeira Guerra Mundial (1914-1918)

Antecedentes e contexto histórico

Vários problemas atingiam as principais nações europeias no início do século XX. O século anterior havia deixado feridas difíceis de curar. Alguns países estavam extremamente descontentes com a partilha da Ásia e da África, ocorrida no final do século XIX. Alemanha e Itália, por exemplo, haviam ficado de fora no processo neocolonial. Enquanto isso, França e Inglaterra podiam explorar diversas colônias, ricas em matérias-primas e com um grande mercado consumidor. A insatisfação da Itália e da Alemanha, neste contexto, pode ser considerada uma das causas da Grande Guerra.

Vale lembrar também que no início do século XX havia uma forte concorrência comercial entre os países europeus, principalmente na disputa pelos mercados consumidores. Esta concorrência gerou vários conflitos de interesses entre as nações. Ao mesmo tempo, os países estavam empenhados numa rápida corrida armamentista, já como uma maneira de se protegerem, ou atacarem, no futuro próximo. Esta corrida bélica gerava um clima de apreensão e medo entre os países, onde um tentava se armar mais do que o outro.

Existia também, entre duas nações poderosas da época, uma rivalidade muito grande. A França havia perdido, no final do século XIX, a região da Alsácia-Lorena para a Alemanha, durante a Guerra Franco Prussiana. O revanchismo francês estava no ar, e os franceses esperando uma oportunidade para retomar a rica região perdida.

O pangermanismo e o pan-eslavismo também influenciaram, fazendo com que aumentasse ainda mais o estado de alerta na Europa. Havia uma forte vontade nacionalista dos germânicos em unir, em apenas uma nação, todos os países de origem germânica. O mesmo acontecia com os países eslavos.

O início da Primeira Guerra Mundial

Ilustração do assassinato do Arquiduque Francisco Ferdinando.
O estopim deste conflito foi o assassinato de Francisco Ferdinando, príncipe do império austro-húngaro, durante sua visita a Saravejo (Bósnia-Herzegovina). As investigações levaram ao criminoso, um jovem integrante de um grupo Sérvio chamado mão-negra, contrário a influência da Áustria-Hungria na região dos Balcãs. O império austro-húngaro não aceitou as medidas tomadas pela Sérvia com relação ao crime e, no dia 28 de julho de 1914, declarou guerra à Servia.








Algumas causas da Primeira Guerra

Os pontos que podemos destacar na profunda origem da Primeira Guerra Mundial, que, segundo alguns especialistas na área, se desenvolveram principalmente após o Congresso de Viena e a derrota final de Napoleão Bonaparte, são esses a seguir:

Governos não-unificados;
Disputas prévias não resolvidas;
Imperialismo;
Corrida armamentista;
Planejamento militar rígido;
Atrasos e discrepâncias nas comunicações diplomáticas;
E o complexo sistema de alianças que se desenvolvia entre os países europeus.

Luta por terras
Na segunda metade do século XIX várias porções de terras da África e da Ásia foram partilhadas entre as nações europeias. França e Inglaterra ficaram com grandes territórios, cheios de recursos exploráveis, mas Itália e Alemanha não foram assim tão beneficiadas na divisão das terras e tiveram que se contentar com territórios de “pouco valor”. Essa é tida também como uma das causas da Primeira Guerra Mundial, uma vez que o descontentamento se espalhou pelos dois países, que permaneceram desejando mais territórios para explorar.

Desentendimentos
As nações europeias eram sustentadas pelo comércio. Com o tempo a disputa por consumidores e por matérias-primas dos produtos oferecidos foi ficando mais acirrada. Algumas ações e decisões desleais foram tomadas por alguns países, que acabaram se destacando e acumulando desafetos. Esses pequenos desentendimentos são apontados também como uma das principais causas da Primeira Guerra Mundial.

Nacionalismos
Uma das influências para que este conflito acontecesse foram também os nacionalismos. Os nacionalismos que reinavam entre os países europeus eram o pan-eslavismo e o pan-germanismo. O primeiro atingia a Rússia e os países de origem eslava, e tinha como ideal promover a união desses países, enquanto o segundo desejava unir os países de origem germânica para formar um grande império. Também se fez presente a rivalidade entre os países Alemanha e Inglaterra.

Desenvolvimento

As batalhas desenvolveram-se principalmente em trincheiras. Os soldados ficavam, muitas vezes, centenas de dias entrincheirados, lutando pela conquista de pequenos pedaços de território. A fome e as doenças também eram os inimigos destes guerreiros. Nos combates também houve a utilização de novas tecnologias bélicas como, por exemplo, tanques de guerra e aviões. Enquanto os homens lutavam nas trincheiras, as mulheres trabalhavam nas indústrias bélicas como empregadas.




Fim do conflito e resultados

Em 1917 ocorreu um fato histórico de extrema importância : a entrada dos Estados Unidos no conflito. Os EUA entraram ao lado da Tríplice Entente, pois havia acordos comerciais a defender, principalmente com Inglaterra e França. Este fato marcou a vitória da Entente, forçando os países da Aliança a assinarem a rendição. Os derrotados tiveram ainda que assinar o Tratado de Versalhes que impunha a estes países fortes restrições e punições. A Alemanha teve seu exército reduzido, sua indústria bélica controlada,  perdeu a região do corredor polonês, teve que devolver à França a região da Alsácia Lorena, além de ter que pagar os prejuízos da guerra dos países vencedores. O Tratado de Versalhes teve repercussões na Alemanha, influenciando o início da Segunda Guerra Mundial.

A guerra gerou aproximadamente 10 milhões de mortos, o triplo de feridos, arrasou campos agrícolas, destruiu indústrias, além de gerar grandes prejuízos econômicos em todos os países envolvidos.

domingo, 1 de março de 2015

A Revolução Mexicana


Imperialismo Norte-Americano

1. O DESTINO MANIFESTO

Crença de que o povo dos EUA foi eleito por Deus para comandar o mundo. Expansionismo americano é apenas o cumprimento da vontade Divina. Assim, expansão não só era boa, mas que era óbvia ("manifesto") e inevitável ("destino").

O termo é creditado ao jornalista nova iorquino John L. O'Sullivan na sua publicação de julho/agosto de 1845, United States Magazine and Democratic Review, em um ensaio entitulado "Annexation", tratando da questão do Texas, e sua iminente adesão à União.

O uso desta doutrina seria oficialmente abandonado em 1850, apenas para ser revivida em 1880, passando então a ser amplamente utilizada pelos políticos da época, em meio à corrida colonial promovida pelas potências europeias. Após a realização de suas ambições, tanto o meio político como a mídia norte-americana em geral irá mais uma vez "enterrar" a doutrina, embora muitos especialistas acreditam que certas ideias do Destino Manifesto façam parte do ideário político-militar estadunidense até hoje, estando presente em muitas das ações unilaterais controversas realizadas pelo seu governo através das décadas. Como prova de tal persistência dos ideais do Destino Manifesto dentro da esfera de poder máxima do país, é flagrante observar os conceitos postos em discursos de líderes norte-americanos através do tempo, com destaque para as palavras de James Buchanan, em seu discurso de posse como presidente norte-americano, em 1857, e as de Colin Powell, secretário de estado do governo George W. Bush, em 2004:

"A expansão dos Estados Unidos sobre o continente americano, desde o Ártico até a América do Sul, é o destino de nossa raça (...) e nada pode detê-la". - Buchanan.

"O nosso objetivo com a Alca é garantir para as empresas norte-americanas o controle de um território que vai do Pólo Ártico até a Antártida".  - Powell.


2. DOUTRINA MONROE

A Doutrina Monroe foi proferida pelo presidente James Monroe no dia 02 de dezembro de 1823, no Congresso norte-americano. Em seu pronunciamento, James deixou claro que o continente não deveria aceitar nenhum tipo de intromissão europeia sobre quaisquer aspectos, isto é, “América para os americanos”. Porém, atualmente entende-se como  “América para os norte-americanos”.

A ideologia da doutrina estava baseada em três princípios básicos: a impossibilidade de criação de novas colônias ao longo do continente, intolerância à interferência de nações europeias em questões internas e a não participação norte-americana em conflitos envolvendo países europeus.

A doutrina se colocava contra o colonialismo em terras do continente americano, isso é tão verdade que os Estados Unidos foram os primeiros a reconhecer a independência dos países anteriormente colonizados pela Espanha.

O que motivou tal doutrina foi a ameaça por parte da Santa Aliança (composta por países europeus como Áustria, Rússia, e França) de voltar a colonizar os países americanos.

Aparentemente, os Estados Unidos estavam fazendo frente à Europa para defender os países latinos, no entanto, o que estava sendo defendido eram somente os interesses norte-americanos.


3. POLÍTICA DO BIG STICK (GRANDE PORRETE)

A ideologia, ou ainda diplomacia ou política do Big Stick (em português, “grande porrete”) é o nome com que frequentemente se faz referência à política externa dos Estados Unidos sob a presidência de Theodore Roosevelt (1901-1909). O termo foi inspirado em um provérbio, originário da África Ocidental, que apregoava: “Fale com suavidade, e carregue um grande porrete, assim irás longe”. Do mesmo modo, Roosevelt atuava mantendo um ar amistoso e cordial nas negociações, e ao mesmo tempo deixava evidente a possibilidade de usar a força para sobrepujar seus opositores e conseguir seu intento.

3.1 EMENDA PLATT

A Emenda Platt  foi um dispositivo Constitucional assinado pelo Senado norte-americano em 1901, para garantir que os Estados Unidos pudessem intervir política e militarmente na ilha de Cuba.
No final do século XIX, após a independência, os norte-americanos trataram de se livrar dos interesses comerciais europeus para conquistar de vez a hegemonia no continente.

Com políticas articuladas, os Estados Unidos apoiaram a descolonização dos países vizinhos para tê-los como aliados e atingir seus interesses geopolíticos e econômicos de forma efetiva.

Com Cuba não foi diferente. Em 1898, o intelectual José Martí  liderou um processo de independência da ilha, que estava sob domínio da Espanha. Ágeis, os governantes dos Estados Unidos viam na ilha uma grande possibilidade de expansão comercial e apoiaram os cubanos na expulsão dos espanhóis.

Os norte-americanos venceram e impuseram a assinatura do Tratado de Paris, que dava aos Estados Unidos o direito de controlar Cuba.

Antes de elaborar uma Constituição cubana, os Estados Unidos elaboraram a Emenda Platt para garantir que a ilha estaria sob seu controle total, com o argumento de que, desta forma, Cuba estaria ‘protegida’ das invasões europeias.

A Emenda Platt deixou Cuba sob domínio norte-americano até 1933, ano em que o soldado e ditador Fulgêncio Baptista assumiu o governo cubano pela primeira vez.

Segundo Fidel Castro, socialista que derrubou a ditadura de Baptista em 1959, a emenda determinada pelos Estados Unidos só contribuiu para a intensificação do colonialismo econômico da ilha.

3.2 CANAL DO PANAMÁ

O Canal do Panamá é um canal artificial que possui 82 km de comprimento, com largura no Estreito de Culebra de 90 metros e no Lago de Gatún de 350 metros, que corta o Panamá (País da América Central), ligando o oceano Pacífico ao oceano Atlântico. A navegação por este canal começou em 1914, ano de sua inauguração, sua construção significa uma importante conquista da engenharia, além de facilitar o fluxo marítimo. Porém, a ideia de se construir o canal surgiu no final do século XIX, tempo em que o Panamá estava anexado ao território colombiano. 

Para a construção do canal foi contratada uma empresa francesa, mas a execução da obra ficou comprometida em virtude de uma profunda crise da incorporadora, que vendeu suas ações para os Estados Unidos, principal interessado na construção desse empreendimento, uma vez que poderia encurtar as distâncias marítimas entre as costas oeste e leste do país e também com outros continentes.

Foi então que, em outubro de 1903, os funcionários da Panama Railroad Company deflagraram um pseudo movimento separatista com o apoio dos fuzileiros norte-americanos a bordo do encouraçado Nashville.

Os colombianos nada tiveram a fazer senão aceitar e, um mês depois, os norte-americanos assinaram o Tratado Hay – Bunau Varilla (ou Isthmian Canal Convention), segundo o qual possuem domínio perpétuo sobre uma zona de 16 km ao longo do canal em troca de 10 milhões de dólares aos panamenhos e mais 250 mil dólares anuais.

Assim, o canal foi construído a partir de 1904 e, mais dez anos depois foi inaugurado. O saldo da construção de uma das maiores obras de engenharia americana, o canal possui 80 km de extensão, foram mais de 5 mil mortos por malária e febre amarela a um custo de 360 milhões de dólares.

Anos depois, em 1921, os EUA assinaram um tratado especial de reconciliação com os colombianos pagando 25 milhões de dólares como indenização.

Como a maioria dos países latinos passou por golpes militares, no Panamá não foi diferente, em 1968 ocorreu um golpe militar no qual o General Omar Torrijos tomou o poder, no ano de 1977 o general realizou um acordo com os EUA, para que a partir do ano 2000 a administração e o controle do canal passassem a ser das lideranças do Panamá, em 1981 o general morreu em um acidente de avião um tanto quanto suspeito.

Após a morte do General Torrijos, quem assumiu o poder foi o ex-chefe do serviço secreto, o General Manuel Antonio Noriega. Em 1989 Noriega anulou a eleição em que fora vencido pelo opositor Guilherme Endara, temendo atingir os interesses americanos, os EUA enviaram tropas e invadiram o Panamá, colocando Noriega no poder.

Em dezembro de 1999 foi realizada uma solenidade para entrega do controle do canal ao Panamá.



Fontes: 
http://www.brasilescola.com/geografia/doutrina-monroe.htm
http://www.infoescola.com/filosofia/destino-manifesto/
http://www.infoescola.com/politica/ideologia-do-big-stick/
http://www.mundoeducacao.com.br/historia-america/emenda-platt.htm
http://www.brasilescola.com/geografia/canal-panama.htm

Começa o século XX no Continente Americano - Resumo

Acontecimentos que influenciaram o processo de independência das Américas:

1) Independência das 13 colônias (1776):
  A formação dos Estados Unidos da América pode serviu como fonte de inspiração para os movimentos latino–americanos que lutavam pela emancipação política e pela ruptura do pacto colonial.

*O regime republicano, baseado no pensamento iluminista, exerceu enorme fascínio sobre a aristocracia “criolla” da América Espanhola.

2) Revolução Industrial (1780):  As relações capitalistas alcançavam distâncias cada vez maiores.

demanda por matéria-prima + demanda por mercado consumidor = aumento da produção

*Necessidade de substituir o pacto colonial (monopólio comercial) pela livre concorrência.

3) Primeira Guerra Mundial: A indústria européia não satisfazia a demanda do continente americano. Os Estados Unidos se aproveitaram, contudo se concentraram no mercado europeu. Desta forma, iniciou-se a chamada “substituição de importações”, onde as nações da América Latina iriam procurar desenvolver uma indústria de base para não mais necessitar de produtos importados. Resulta no desenvolvimento industrial.

***

O incentivo a industrialização provocou um êxodo rural e em um consequente crescimento urbano, alterando as camadas sociais. Gradativamente as oligarquias foram sendo substituídas por necessidades públicas. Adiconando a estes fatos as ideias Iluministas, gerou o desejo de independência.

***

A fragmentação política e o caudilhismo:

A fragmentação política da América hispânica pode ser explicada pelo próprio sistema colonial, uma vez que as diversas regiões do império espanhol eram isoladas entre si. Essa situação favorece também o surgimento de lideranças locais fortes, os CAUDILHOS, dificultando a realização de um projeto de unidade colonial.

O Caudilhismo: O caudilho era um chefe político local, grande proprietário de terra e que procurava manter as mesmas estruturas sociais e econômicas herdadas do período colonial. Convencionou-se como “figura” típica da América Latina, notadamente dos países surgidos do Império espanhol.

A inserção de novos estados nacionais no cenário internacional do trabalho: continuou nos mesmos moldes coloniais:

exportação de matéria-prima (agrícola e mineral)   x   importação de produtos industrializados
* valores de mercado diferentes:  agrícolas [mais barato]     x     produtos industrializados [mais caro]

Balança desfavorável: necessidade de empréstimos estrangeiros = Dívidas interna e externa.

À emancipação e divisão política latino-americana segue-se nova dependência: não mais das antigas metrópoles, porém da Inglaterra.

Porém, no início do século XX, a influência estadunidense gradualmente substitui a inglesa. Os Estados Unidos “não concordavam” com as práticas de intervenção dos europeus e com isso se distanciaram da Europa.

Inicia-se o Imperialismo Norte-Americano.













terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Regimes, Formas e Sistemas de Governo

REGIME, FORMA E SISTEMA DE GOVERNO

O fato é que desde os primórdios da humanidade, quando o homem se tornou sedentário e começou a se organizar em comunidades, surgiram duas perguntas: Quem governaria? Como governaria?

Ao longo dos séculos o homem organizou o Estado e as diferentes formas de governo. Há séculos, filósofos e, modernamente, cientistas sociais estudam as formas de organização do poder. Essas diferentes formas são classificadas com três critérios fundamentais: a origem, a distribuição e o controle do poder.

Assim dependendo das fontes de legitimidade das principais funções políticas e de quem as exerce, de como as diferentes funções políticas estão distribuídas e de como o exercício do poder é controlado, classificamos diferentes regimes políticos e distintas formas e sistemas de governo.

Regimes

A grosso modo um regime político caracteriza-se pelas regras e instituições que regulam a disputa pelo poder político e o seu exercício entre os cidadãos ou grupos sociais. A história registrou dois tipos básicos de regimes políticos:

A) Regimes autocráticos
B) Regimes democráticos

A) As autocracias são regimes onde o poder político reside em uma única pessoa. Existem três fontes de legitimidade para regimes deste tipo: a divindade e a religiosidade, quando o titular do poder político é considerado o representante divino que tem a missão de guiar e proteger seu povo; a força e a inteligência “sobre humanas”, normalmente atribuídas aos chefes militares; as doutrinas político ideológicas, que atribuem ao chefe de organizações políticas o poder de dirigir e proteger seu povo.

As democracias são regimes políticos onde a origem do poder esta no povo, no cidadão. A distribuição do poder e o controle do seu exercício, também estão nas mãos do povo. Todos os membros da sociedade tem iguais direitos políticos. É esse valor político que constitui a soberania popular, base da organização de um regime democrático.

Forma de governo

Existem duas formas de governo : a monarquia e a república.

A monarquia se define pela existência de uma Casa real, instituição que constituí-se de uma família, guardiã das tradições culturais e históricas da sociedade. A Casa real tem obrigação moral e política de proteger o país, a nação e o seu povo. Para a côroa exercer essa função pertence a ela a direção geral do Estado. O chefe da família real é o chefe de Estado.

A república é uma forma de governo onde nenhuma família ou indivíduo é o guardião das tradições da sociedade. A função de guardião do país pertence ao Estado, que é uma organização pública. Para que o Estado exerça esta função é necessário que alguém assuma sua direção. Além da função de chefia de Estado, tanto as monarquias quanto as repúblicas existe uma outra função fundamental: governar o país.

Sistemas de governo

Existem duas formas para a organização dos governos nos diferentes países, são elas denominadas sistemas de governos

Existem três sistemas de governo:
A) Monocrático:
As funções executivas e legislativas estão sob a tutela de um chefe supremo (religioso, militar, de um partido)

B) Parlamentarista:
Nos governos parlamentaristas as chefias de Governo e Estado estão separadas. O rei ou o presidente (conforme a forma de governo)é o chefe de Estado, e o Primeiro Ministro é o chefe de governo. A fonte de legitimidade do governo esta no parlamento, eleito pelo povo. A população elege seus representantes (deputados), e os partidos que obtiverem a maioria irão constituir o governo.

C) Presidencialista:
No presidencialismo a chefia do Estado e de governo estão na mesma pessoa. A fonte de legitimidade decorre diretamente do eleitorado.
Governo presidencial significa governo organizado autonomante pelo presidente e chefiado por ele, governo parlamentar significa governo organizado pelo parlamento e chefiado por um parlamentar, aceito pela maioria dos deputados.

fonte: http://monarquiaxrepublica.blogspot.com.br/2009/07/regimes-politicos-formas-e-sistemas-de.html

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Caudilhismo

Caudilhismo, um sistema de dominação político-social, com base na liderança de um homem forte, que surgiu após as guerras de independência da Espanha no século 19 na América Latina. O caudilho palavra em espanhol ("líder", a partir do capitellum Latina ["cabeça pequena"]) foi usado para descrever o chefe das forças irregulares que governou um território politicamente distintos. Estas forças eram governados por um sistema informal de obediência sustentada com base em uma relação paternalista entre os subordinados e o líder, que atingiu a sua posição como um resultado de sua personalidade e carisma forte.

O conceito de caudilhismo foi utilizado pela primeira vez nas antigas colônias espanholas da América Latina (muitas vezes chamado de América espanhola) para descrever os líderes que desafiaram a autoridade dos governos decorrentes do processo de independência depois de 1810; Ele também se referiu aos regimes políticos instalado por esses líderes. Diferentes interpretações da origem do caudilhismo incluíram fatores como a militarização da política como resultado das guerras de independência, a ausência de regras formais, após o colapso da ordem colonial, a ruralização do poder, a importância da tradição monárquica, o legado de autoritarismo e anarquismo dos espanhóis, e as características das sociedades de aldeia.

A militarização da política e da sociedade que sobreviveram às batalhas pela independência caudilhismo ligada ao poder militar e competição política com lutas armadas. O caudilho foi primeiro um guerreiro. Durante as guerras de libertação, as guerras civis e guerras nacionais, ele era o homem forte que poderia recrutar tropas e proteger seu povo. No México e no Peru, por exemplo, os militares profissionais desempenharam um papel importante no processo político como grupos de pressão. Em outros países, a organização militar, no final do período colonial foi varrida pelas guerras de independência. No entanto, alguns chefes militares eram figuras dominantes nesses lugares-por exemplo, Francisco de Paula Santander, em Nova Granada (atual Colômbia), Juan José Flores, no Equador, José Antonio Paéz na Venezuela, e Andrés de Santa Cruz, na Bolívia.

Domingo Faustino Sarmiento escreveu um livro em 1845, que a provê uma interpretação clássica do caudilhismo na América Latina em 1800, enquadrando-o como a expressão da barbárie política e a antítese de um governo que garante a segurança, a liberdade e os direitos de propriedade para os habitantes de um país. O livro de Sarmiento é um retrato de Juan Facundo Quiroga, o "Tigre das Planícies", um caudilho argentino na primeira metade do século 19. Em Quiroga, Sarmiento acreditava que ele viu a encarnação do conflito entre civilização e barbárie enfrentada pelos povos das Américas, como resultado de sua experiência revolucionária, que tinha virado a violência em um estilo de vida. Vigor físico, crueldade espontânea, ea rusticidade inerente ao mundo rural vieram pode dar conta do despotismo dos regimes representados por esses caudilhos como Quiroga, Paéz, do México, Antonio López de Santa Anna, e da Argentina, Juan Manuel de Rosas.

Após a ruptura da ordem colonial, as oportunidades para o avanço social ampliada. Agustín de Iturbide, o "imperador constitucional do México" (1822-1823), veio de uma família pobre crioulo, e Gamarra e Ramón Castilla, ambos do Peru, eram mestiços. Todos eles atingiram posições que anteriormente teriam sido inacessíveis a eles, mas esta abertura relativamente liberal agiu como um instrumento para impedir a divulgação excessiva de participação popular dentro de um contexto em que a legitimidade do poder sempre foi questionada.

Os termos caudilhismo e caudilho continuou a ser usado depois que as condições que deram origem ao que pode ser chamado de "caudilhismo clássica" -que do século 19 desaparecidos. Os termos foram estendidos para abranger qualquer tipo de liderança personalizada que exerce o poder de forma arbitrária dentro de um contexto de instituições políticas fracas ou instáveis. Caudilhismo é usado às vezes para designar e também estigmatizar os governos dos "homens fortes", sem qualquer referência contextual.

Escrito por Liliana de Riz
Fonte:http://www.britannica.com/EBchecked/topic/100367/caudillismo